Clique aqui para cadastrar-se cafe-philos

Clique aqui para cadastrar-se cafe-philos

ACADEMIA ANTONIO BEZERRA DE LETRAS E ARTES: Novembro 2012

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

AS AVENTURAS DO BODE IOIÔ
LANÇAMENTO SÁBADO (17/11) AS 16:00 NA ESTANDE 92 - EDITORA EDJOVEM
X BIENAL DO LIVRO DO CEARÁ


Padaria Espiritual

O pão do espírito para o mundo

Padaria Espiritual

A Padaria Espiritual se originou do espírito revolucionário de um grupo de jovens que se reuniu em forma de sociedade para, através das letras, protestar contra a burguesia, o clero e tudo que fosse tradicional, como consta de seu programa.

Foi no Café Java, com o apoio do seu proprietário, conhecido como Mané Coco, que apesar de não ser intelectual, cedia com muito gosto o lugar para as reuniões desse grupo de jovens, chegando até a preparar depois um “quiosque” separado para a Padaria.
No início, era um grupo pequeno, com Antônio Sales, Lopes Filho, Ulisses Bezerra, Temístocles Machado e Tiburcio de Freitas. Esses jovens conversavam sobre literatura, daí surgindo a ideia de formar um grêmio literário. Eram todos muito novos, sendo Antônio Sales o único que tinha livro publicado.
A ideia central era despertar no povo o gosto pela literatura, que andava um pouco esquecida. No entanto, já havendo precedentes de sociedades literárias de caráter formal, burguesa e retórica, decidiram que só valeria a pena se fosse uma coisa nova, original e até mesmo escandalosa, que repercutisse amplamente. Antonio Sales lhe deu o nome de Padaria Espiritual, que teve ótima aceitação, e logo depois fez também o programa de instalação da sociedade, que foi um verdadeiro sucesso, tornando-se conhecido de todos e chegando, até mesmo, a ser publicado integralmente por jornais de outros Estados.
O próprio Antônio Sales conta, no seu livreto Retrospecto, a história da Padaria, que diz muito do espírito de seus membros.
…a história da Padaria Espiritual a contar do dia em que entre o espanto da burguesia ignara, Ella afirmava a sua existência social na noite de 30 de maio de 1892, no prédio n.105 à rua Formosa. Festa original, essa onde a boa gargalhada substituía ao tonitroar da rethorica sediça e narcótica, destoando travessamente das lúgubres noitadas que se passam no recinto dessas sociedades literárias hirtas e parvas com os seus estatutos massudos, as suas actas de Irmandade do  Sacramento e a sua discurseria impante de eloquência de circo de cavalinhos – redundadndo tudo numa esterilidade desoladora e numa vulgaridade idiota. Pela primeira fornada da Padaria viu logo o povo que se tratava de uma cousa nova, que tinha chiste porém que não parecia muito sério, na acepção dada commummente a esta palavra…
Regina Pamplona Fiúza